O TEMPO NÃO PÁRA



O TEMPO NÃO PÁRA

Cazuza

Disparo contra o sol

Sou forte sou por acaso

Minha metralhadora cheia de mágoas

Eu sou um cara

Cansado de correr

Na direção contrária

Sem pódio de chegada ou beijo de namorada

Eu sou mais um cara

Mas se você achar

Que eu tô derrotado

Saiba que ainda estão rolando os dados

Porque o tempo o tempo não pára

Dias sim dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára não não pára

Eu não tenho data pra comemorar

Às vezes os meus dias são de par em par

Procurando uma agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer

Nas de calor se escolhe: é matar ou morrer

E assim nos tornamos brasileiros

Te chamam de ladrão de bicha maconheiro

Transformam o país inteiro num puteiro

Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára não não pára

Dias sim dias não

Eu vou sobrevivendo sem um arranhão

Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos

Tuas idéias não correspondem aos fatos

O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não pára

Não pára não não pára

CLARO




CLARO





Pelas tardes de fogo homens

pedras movem com capacetes

de sombra mergulhados

em ruas de verão e sal.



Nada me diz que as coisas

se passam como me dizem

além

da parede de vidro que nos divide

aquém

das algemas de sono que nos unem.



Sou como posso fiel

a meu projeto mesmo

que de pronto não o achem

meus olhos – anônimos

minhas mãos – rachadas

meus lábios – rebeldes



nos espaços burocráticos

nas relações de amizade

nos desertos duros da fome.



Liberdade é meu ser

e tempo. É o meu nome.

Razão – o meu sobrenome.



Florisvaldo Mattos



ÁGUA PERRIER

E lá vamos nós, outra vez**********


Não quero mudar você,

Nem mostrar

Novos mundos

Porque eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.

Adoro esse olhar blasé

Que não só

Já viu quase tudo

Mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho

Alimentar seu tédio.

Para tanto, exponho

A minha admiração.

Você em troca cede o

Seu olhar sem sonhos

À minha contemplação:

Aí eu componho uma nova canção.

Adoro, sei lá por que,

Esse olhar

Meio escudo

Que em vez de qualquer álcool forte pede água perrier

Adoro, sei lá por que,

Esse olhar

Meio escudo

Que não quer o meu álcool forte e sim água perrier

Adriana Calcanhoto / Antônio Cícero