E...




E eu que acordei às 4:40 da manhã, com uma dor de cabeça que ninguém merece. E dores pelo corpo todo. Eu, que nunca tenho dores de cabeça, me desespero quando isso acontece. Então, choro, perco o controle até recobrar a razão. Daí, rendo-me às evidências: por ora, remédio, não há outro; pra semana, médico. Isso já é rotina. Este poema é antigo, dos tempos da minha outra estada aqui na Net, mas deixo aqui porque é algo recorrente, embora, o meu poder de reação seja mil vezes maior.

***

tenho tanta vontade
de não ter vontades
de mandar tudo às favas
ou simplesmente desmaiar
desabar num coma existencial
permeado de sonhos alheios
ao mundo lá fora
esquecer de ser
apagar a luz da razão
mergulhar no arco-íris
voar no mar
vislumbrar o imaterial
conformar-me em suaves contornos
embalar-me numa rede
e desaparecer como éter
entre os convidados
de uma festa etílica e imaginária...
acompanhar a trajetória
da fumaça do cigarro que eu não fumo
subir aos céus no primeiro dia
chutar nuvens e engolir estrelas
sem cruzar com tempestades
muito menos astronautas
apenas com cronópios
e a fauna rara do universo.

@ Renata Cordeiro